Noite. Calor. Chuva. Estouro. Celesc podre. Falta de energia.
- Onde você vai pai?
- Vou olhar TV.
- Virou ninja? Não tem energia...
- Eu disse que ia olhar TV, não disse que ia assistir TV.
Meu pai nunca fez do tipo super herói, moralista, ativo na minha vida, influente nas minhas escolhas ou que dá beijinho de boa noite.
Haviam anos em que ele só me abraçava no meu aniversário, e nunca, nunca mesmo, elogiou meus boletins bombardeados com notas dez.
Não me ensinou a andar de bicicleta, também nunca me bateu. Se faz de difícil comigo, super protetor, me ensinou sobre a persuasão me obrigando a criar argumentos que pudessem convencê-lo da minha sanidade sobre tudo o que queria fazer. Ganhava carta branca, sempre.
Nunca me disse o que era certo ou errado, mas sempre deixou bem claro que as consequências, e antes mesmo disso, a consciência, seria digna apenas a mim.
Ele nunca foi do tipo que se importou com a visão de mundo dos outros sobre o seu próprio mundo. Muito menos sobre um mundo que não lhe pertencia, e assim, me ensinou a essência sobre Deus e os outros.
Ele é bem na dele. A gente discutiu poucas vezes. Mas ele sempre permitiu que eu fosse ouvida, mesmo errada, me ensinou sobre o respeito. Ele é paciente, perfeccionista e não sabe contar piadas. Mas ri de qualquer uma. Não aceita meio termo, é extremista. Modesto, não faz glória às próprias conquistas, mas tem mérito em cada uma delas. São SUAS.
É inteligente, esperto, mente aberta. Acha tudo um absurdo, pra manter o nível de durão. Mas tem um coração maleável a qualquer sorriso, se for de criança então... Tem uma alma boa, confiável e generosa. Não vê maldade em nada, porque não tem em si próprio.
Se comporta como um adolescente. Empina bicicleta, faz pega de moto, planta bananeira, compra dvd do Queen, anda sem camisa.
Me instiga a buscar sempre mais com seu jeito de que eu nunca consegui o bastante... Me revoltava no princípio, hoje eu vejo o que ele quis em cada uma das vezes que não me idolatrou por cada passo que eu dava. Ele preza por coisas justas, e me mostrou que o que é justo vem do caráter de cada um.
Essa semana ele me deu um presente, um caderno, e fez uma piada tradicional de que ia escolher um da Barbie com um poney porque combinava comigo. Com só esse gesto, ele me disse sem uma palavra sequer... Estou orgulhoso, faça jus a oportunidade que tu tens, e saiba que eu te amo incondicionalmente.
Eu, dizendo que ia preferir um com a capa do Justin Bieber, lhe respondi do mesmo modo... Obrigada por acreditar em mim pai, te amo muito!

Um comentário:
Não sei se é porque estou muito emotiva ultimamente, mas no final eu quase chorei, só não rolou algumas lágrimas porque estou no trabalho.
E Perla, faço das palavras dele as minhas. E eu tbm te amo! :P
Postar um comentário