segunda-feira, 19 de abril de 2010

Autodiálogo

- Pára com isso, tá com a doença da vaca louca?
- , me traz uma vacina ou então, sacrifício, que aí a CIDASC têm lógica e não há necessidade de parar com a venda de carne catarinense pra Europa.
- Nossa, comeu alguma coisa estragada hoje foi?
- Comi, engoli muito sapo, tão travados aqui na minha garganta, vê se consegue tirar pra mim, aí a gente assa e diz que é rã.
- Tá triste?
- nada, tristeza também é doença de vaca, e pesar da cabeça dura, eu não sou vaca não, acredite, olha bem que você percebe. Não tem chifres. Não insista, nada de me levar pro frigorífico.
- Eu estou com medo de te deixar sozinha.
- Por que? Sabe que logo eu capoto.
- Por que ainda não parou de chorar?
- Porque ainda tá na minha mente.
- Vai fazer o que?
- O que eu sempre faço, manter o equilíbrio.
- Qual equilíbrio?
- Aquele, no penhasco, pra não cair.
- Cair ou pular?
- Na verdade era sobre ser atirada.
- Quem que te empurraria?
- Qualquer um serve.
- Um qual?
- Criaturas que se aproximam.
- E o que elas ganhariam com isso?
- Foi a pergunta que eu acabei de fazer pra mim mesma.
- Mas por que tu permitiu que se aproximassem de você?
- Me pediram... eu atendi. Dizem que precisam de mim.
- E é verdade?
- Ninguém fala a verdade. Nem mesmo eu. Não falo, pra que ninguém acabe se ferindo, são todos fracos, mesquinhos e covardes.
- Você tá mentindo então?
- Tá vendo isso aqui? É uma máscara, de menina, de criança, de amendobobo. Ela funciona que é uma beleza. Deveriam até fazer pra vender. Sabe, essas criaturas que se aproximam perdem todo o seu tempo olhando pra ela, e meu plano funciona... Ao mesmo tempo que juram precisar de mim, e me atiram do penhasco, e eu sorrio, enquanto vejo cada um deles se perdendo no meio do escuro que construo pra que ninguém veja o inferno em que vivem.
- Tem mais?
- Tem.
- O que?
- Jah love protect us.

É.


É. Não é?