terça-feira, 16 de março de 2010

16 de março

Era preciso que isso fosse feito hoje. Data forte, data marcante. Tenho certeza que todos têm uma dessas em suas memórias, uma data que insiste em permanecer viva, em todo e qualquer dia, mesmo em meio a contrastes. Quando a lágrima de uma se tornou num sorriso, e o silêncio importuno, em uma imensidão de palavras dispersas. Quando a falta de apetite se transformou em fome imensurável de sonhos e apostas. A ilusão, em certeza.
Sobre o colchão frio em pleno verão, e a mente congelada, o corpo imóvel, a alma sentia-se engasgada com os soluços e o choro que não me permitia declarar. Não podia pensar, nem ao menos sentir nada. Só havia um vazio. Não havia nada a declarar aqueles que não poderiam compreender, inclusive a mim mesma.
Eu não pude emitir nenhum som, nem ouvir qualquer coisa. Não vi luz alguma, nem cores nessa data. Não senti cheiros, não toquei em nada. E o dia 16 de março finalmente terminou, como nesse exato momento, e libertadas da alma, as lágrimas finalmente tomaram lugar em meu rosto.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mando embora embaixo da torneira

Das tardes deitada no chão da sala, ao lado do meu irmão postiço disputando o copo de nescau, torcendo pro Jamaicano chegar com a pizza ou o Nino com o bolo no prato, pra que os olhinhos começassem a brilhar e poder cantar a música que ainda se mantém viva na minha memória.