Na verdade, eu adoro todos os dias. Adoro tanta coisa que nem tenho tempo pra odiar coisa alguma.
Adorei o banho quente de manhã,e a fumacinha que ficou no banheiro todo,e a Kesha me pulando querendo chamar a atenção pra ir pro gramado. Adorei a lã sobre minha pele arrepiada, com gotinhas de água. Adorei minha mãe no banco comigo, quando cheogu do trabalho. Adorei a carona da Djuni, adoro ela aliás. Adorei o sorriso da Márcia na portaria. Adorei mais ainda o email do cachorro que andava de skate, os 7 copos de café pela manhã, a minha mesa com duas cadeiras de rodinha, os débitos,os crétidos, os números.
Os números ainda mais.
Adorei o almoço, o frango, o prato com tanta comida laranja. Molho de tomate laranja, cenoura laranja ralada, frango frito laranja, torta de batata laranja.
Adorei a Nina e a caminhada na brita, adorei as risadas também. Adorei o sol depois de passar pela porta da recepção, adorei o vento, e adorei o calor que o ar condicionado espantou a tarde toda.
Adorei o cheiro de perfume, adorei o tchau, adorei o boa aula do porteiro pra quem devo um CD, adorei o croissant de chocolate.
Adorei o Lucas de óculos no ponto de ônibus, adorei a cara de nerd que ele ficou. Adorei dormir as 18 da tarde, e adorei o abração da Jamile. Adorei a trança da Paula, adorei também o pacote de bala que o Amilton trouxe. Adorei o tinta copiando meu trabalho, e adorei a Laila me falando da cidade de nome feio de onde ela veio. Adorei a Priscila com suas duas carteiras de motorista, e adorei a Marina escutando sua cama chamar. Adorei o Andreatta falando da vida de contador, ou da cruz de contador, ou do orgulho de ser contador.
Adorei o convite da Claudia, e adorei o brilho nos olhos da Scheila no ônibus.
Adorei a musica do Ira, adorei o amendoim em cima da mesa. Adorei o banho quente, e o cheiro do sabonete verde. Adorei minha cama, adorei o sono, adorei existir.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Por tantas vezes quanto for necessário
Pior do que tomar a audácia de sair de uma situação que só tende a piorar é decidir sair dela da maneira errada.
O que impressiona não é até que ponto uma situação chega, mas até que ponto você permanece nela. Cavar em pedras. Soprar um incêndio. Usar chinelo pra caminhar na geada.
Não abrir mão daquilo que desejo sempre compensou. Mas a dor do fracasso quando não se alcança é sempre maior do que aquela pela qual passaria se tivesse desistido em tempo. Quando se deseja muito algo, por muito tempo, em intensidade muito maior, de forma inconsciente você já agrega à tua vida. A confusão se estende por tempo indeterminado pela falta de algo tão presente, que jamais chegou a existir. De fato, a companhia dessa falta passa a ser confortante à medida que cada passo teu em torno de um monumento sem vida vai te direcionando pra lados opostos, te seguindo pelas sobras mórbidas da exaustão e da indiferença.
E quando eu for avistada a quilômetros de distância, transparecendo segurança, eu queria poder te avisar que não passa de um estado anestesiado diante da minha revolta que não exige respostas e nem porquês. Uma revolta pacificadora, que hoje toma o lugar de uma guerra entre minha busca incessante e compulsiva de completude e a certeza que o que é pleno só chega quando percebe-se que ele sempre esteve aqui.
E até onde me convém, não pretendo sair dessa situação. Minha alma precisa de alimento, e mesmo entre universos paralelos de uma vida que só tende a me afastar do amor mais puro que cheguei a sentir, até que a fome chegue, eu escolho permanecer e me permitir.
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