terça-feira, 25 de maio de 2010

I was born to love you & One love

São duas horas por dia, de segunda a sexta feira, dentro de um ônibus. Já fiz viagens de todos os tipos e formas, com pessoas de todos os tipos e formas, em dias de todos os tipos e formas, e comigo, de todos os tipos e formas. Da pra se fazer muitas coisas em um ônibus, e entre estudar com a luzinha fraca iluminando letrinhas pequenas e folhas sendo rabiscadas com credita e debita, também é possível ver fotos velhas, passar por lugares sombrios e pontes altas sobre águas profundas e sigilosas, é permitido se dar ao prazer de trocar palavras com amigos, com estranhos, com vizinhos que nem sabia que existiam, observar humanos, dar gargalhadas altas que acordam passageiros do banco 03 ao 039. perceber que a biblioteca musical do MPdesatualizada, tem de Lady Gaga com Bad Romance a Detonautas com Verdades do Mundo, sucesso de início de ano 2009, e há grandes chances de se desligar do mundo em sonos breves a comas profundos naqueles bancos macios.
Todos os dias, meu caro motorista sintoniza 93 fm em nosso veículo de guerra e espalha o som agradável daquelas músicas por todo o corredor. A voz do locutor é amigável e ele possui um senso de humor aconselhável, e lhe agradeço por não tocar Parangolé e Justin Bieber das 18:00 às 19:00 hs e das 22:00 às 23:00 hs. Muitíssimo obrigada! Mas o fato não é esse, ainda... Meu caro locutor não falha em dois quesitos, que se somam em uma obra prima: toca Queen e Bob Marley, todos os dias, sim, e pra mim se resumem em um diamante bruto, que é lapidado em minha mente até tocar minha alma. E hoje, se definiram por elas.



I was born to love you,
With every single beat of my heart.
Yes, I was born to take care of you,
Every single day of my life!



One Love!
One Heart!
Let's get together and feel all right.


Ps: Alvorlei, tem um cocô monstro na minha janela favorita, foi mira perfeita dum ânus voador. O registro deve medir uns 20 cm na vertical, e muda de cor a cada dia. Acredito que vidrex não seja o suficiente pra tirar aquilo de lá, usa soda cáustica de uma vez pra garantir. Isso me fez lembrar de outra música que tocou semana passada...

As pombas quando avoam,
Por incrível que pareça,
Ficam sobrevoando, com seu cu amirando,
Em nossas cabeças.
Daí vem a rajada de sua bazuca anal,
Já tem pomba com mira a laser,
O tiro sai sempre fatal.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A máxima

São raras as coisas que me molestam. De tudo o que vejo por aí causando raiva, medo, desalento e insegurança em todo mundo, tem apenas uma que me irrita profundamente. Das outras, não me fazem a mínima diferença, já que não tem nada a me acrescentar. E da mesma forma como não me abalam, não me provocam o menor interesse. Sou intensa demais pra isso. Vivo na máxima, ou na mínima, de tão mínima, que nem chega a existir. De tão máxima, que me prende toda a atenção, e toda devoção.

Mate-me pra você dessa forma, sem distinção ou desvios: não coloque fé nas minhas palavras, e espere que eu faça o mesmo com as tuas. Não faça o que você fala, e não seja quem você diz.

Nada que é humano me surpreende, ainda mais inserido num meio onde uma troca de olhares perversos na rua é motivo pra descer o braço em alguém, onde ninguém tem tempo pra ouvir uma música num fim de tarde e distribuir sorrisos, tomar um café com os pais, estender o dia para amigos, tomar um tempo para si. Não existem prioridades senão aquela de se render à escravidão que implantamos aqui, pra você, pra mim. Não nos é permitido manter confiança, lealdade, amizade, bondade, apetite, personalidade, afeto, amor. Não nos é permitido sentir, apenas concluir, construir, competir, invejar, disputar, dar resultados. Nesse marasmo todo, seria então possível ter fé nas pessoas? Relações são trocas mútuas, mas só se quer ganhar, e dar, é sinônimo de perder.

Seria menos cansativo e do jeito mais fácil se houvesse sangue de barata em minhas veias. Mas isso é uma mínima, pra mim, só me vale a máxima, eu quero do jeito mais difícil.


"Para a maioria, quão pequena é a porção de prazer que basta para fazer a vida agradável!"

Friedrich Nietzsche