Me apaixonei novamente pela mesma pessoa. Inúmeras vezes.
Eu costumava dizer que queria que isso jamais tivesse um fim, registrado em papel, com palavras dispersas que raramente são lembradas. Realmente, não houve fim. Achei muitas vezes que um fim discreto, acanhado e na dele estivesse chegando, fingia que não o via se aproximar. De tanto não levá-lo á sério, ele desviava de mim, de nós, e se transformava em pó.
Por vezes o fim chegou estrondoso, avassalador, drástico, dramático. Chegou algumas vezes assim. O fim aparecia, a história toda sumia. Parecia ter toda a razão, mas não era certo. Até o momento em que o fim era tomado pela falta, tomado pela angústia e dava lugar a saudade. Saudade é sinal de sentimento que fica. É sinal de que não houve fim.
O fim se disfarça com as mudanças. Trapaça essa... Quando algo muda, deixa de existir, então, finda.
O fim se disfarça com a bipolaridade, se enrola na insegurança que surge a cada dia, se camufla no medo de magoar, de ser magoada. O fim chega quando os risos são substituídos por lágrimas, a falta que antes existia é substituída por indiferença, a confiança por medo, o amor é substituído pelo vazio. O fim chega quando uma pessoa toma o lugar de outra, no mesmo corpo, num físico que trazia outro alguém.
Queria que isso jamais tivesse um fim. Talvez ele logo esteja chegando. Continuo a me apaixonar todos os dias, com uma frequência estonteante, mal consigo acompanhar. Isso me deixa anestesiada com qualquer coisa que pudesse trazer o fim pra mais perto. Paixão é alicerce dum amor que não tem fim.
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