Eu fiquei parada sem voltar meus olhos à direção da qual eles acabaram de se retornar. Caramba! Eu estudei tanto assim para aquela prova a ponto de chegar a ver coelhos no meu quintal? Ou havia algum tipo de hipnótico no suco da cantina?
Eu desembaracei os olhos, e o mais lentamente possível, estacionada na calçada que dava entre o portão e a porta da varanda, e olhei para aquele canto. Lá estava ele, de pêlo negro, quatro patas, orelhas grandes e remoendo capim verde. Seria a Páscoa e ninguém me avisou? Ele transpirava tranquilidade e parecia não se encomodar com minha presença. Continuava com seu capinzinho entre os dentes afiados e ágeis.
Me senti a Alice no País das Maravilhas, e a certeza que eu tinha era que aquele animalzinho ia logo tirar um relógio do bolso e sair correndo às pressas.
Dei um passo por vez, em silêncio. Enfiei a chave na fechadura, e girei suavemente até que a porta estivesse livre pra baixar o trinco. Entrei, me dirigi ao meu quarto, larguei tudo no chão e me joguei na cama, com a certeza de que já estava sonhando antes mesmo de me deitar.
Essa manhã, minha mãe chegou no meu quarto, me acordou e me deu a notícia:
- Tem um coelho morto no asfalto aqui na frente... um preto. E havia mais um coelho olhando pro cadáver dele, atrás do portão, pelo lado de dentro. Pobrezinho, querendo desbravar o mundo, corajoso. Agora o outro ficou sozinho.
Sorte que no País das Maravilhas, não haviam asfaltos. Senão Alice, tu já era.
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